More About my Book Água de Beber in Portuguese

Recentemente escrevi no Facebook que havia relido meu livro Água de Beber: Um bate papo de Capoeira e, confessei que havia gostado; que fiquei emocionado ao desdobrar suas páginas e que deveria relê-lo muitas vezes para aprender o que desaprendi. Penso assim e vou compartilhar um pouco deste livro com vocês. Começarei com os escritos do Mestre Itapoan, João Coelho, Mestre Decânio e Mestre Nestor Capoeira que generosamente fizeram comentários nas orelhas e contracapa do livro.
Eram os anos 6o, mais precisamente 1964, entrei na Academia do Mestre Bimba e comecei a sentir o que representava Acordeon  para nós alunos. Bira já era uma figura singular: capoeirista excelente, batia, derrubava, gingava legal e tocava berimbau como poucos, enfim um legítimo representante da Regional. Convivi com ele 15 anos, na Academia do Mestre Bimba e na minha Ginga Associação de Capoeira. A trajetória de Bira é de uma pessoa totalmente absorvida pela Capoeira. Depois de anos mostrando o que aprendeu e desenvolveu por aqui foi, por circunstâncias tantas, morar nos EUA, mais precisamente em São Francisco, talvez porque lá as saudades da Bahia não seriam tantas, já que esta Cidade lembra muito a velha Salvador. Era de se esperar que o “Banzo” o levasse a produzir um livro como este, ” Água de Beber, Camará! ” é um verdadeiro retôrno de Bira à sua terra, seu povo. Recheado de personagens da Capoeira, esta “ficção realística”, se assim podemos chamar, o traz de volta. “Viajei” na leitura, me vi dentro da narrativa e acho que todos que entendem um pouco de Bahia e de Capoeira sentirão o mesmo. É muito bom saber que Bira/Acordeon, meu irmão espiritual, não perdeu a sua condição de conhecedor profundo da nossa arte de lutar. E, sabe Bira, como o mundo ”é redondo, como a Roda”,  qualquer dia a gente se vê por aí. Quando você foi, apenas confirmou os versos do poeta: “Todo artista tem que ir onde o povo está”, e se foi assim, assim será, sempre. 
Axé !
Cesar Itapoan
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Prezado Bira
Recebi seu livro na sexta, pelo correio. Terminei ontem de rele-lo e confirmei  a sensação de que é a narrativa de um caminho de formação individual traçado ao longo de praticas, preceitos, exemplos e orientações que tem identidade própria: a capoeira. Não só a singularidade da capoeira transparece, mas também o seu caráter de ligação entre todos estes elementos, voltados para a formação do capoeirista, do  indivíduo.
Eh uma grande emoção constatar essa unidade e ver nascer diante dos olhos o desenho de uma tradição brasileira de raizes africanas que não pediu licença a ninguêm e continua provendo um caminho de formação individual a quem a procura.
Capoeira é tudo que a boca come, é maldade. Entendendo que as visões de Pastinha e Bimba sobre capoeira não se contradizem é que podemos entender o perfil desta arte em nossa sociedade. Por ter nascido da vida e das reflexões de um capoeirista, o livro vem integrar-se e tambem complementar a tradição da capoeira, documentando de forma original o seu universo simbólico e mostrando a formação de um indivíduo neste universo. O encontro do indivíduo com este universo é contado  com carinho, poesia, alegria e a generosidade característica de um mestre.  O fio da história individual é enlaçado ao fio da tradição.  Capoeira, se pode ver, ficou  inscrita na carne e na alma…
João Coelho
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Gostei muito do texto de Acordeon e, se isto fosse  possível, passei a gostar mais ainda do próprio Acordeon, por que neste “booklet” o Mestre retratou sua própria alma, vivência, sonhos e o caminho percorrido nesta encarnação, o qual venho acompanhando de perto.  Livro rico em ambigüidades… verdades mentirosas e mentiras verdadeiras… ficções reais e realidades fictícias… sonhos vividos e vida sonhada… tal como o Mestre Acordeon! 
“Receber um golpe é falha de defesa, assim como acertar-se um oponente quando não se tiver esta intenção é falha de ataque… Capoeira não é uma roupa a ser vestida em determinado momento ou de acordo com a ocasião. Capoeira é a própria pele.” 
Alma de poeta… Espírito de samurai… Corpo de gladiador… Pensamento de Mestre Zen… Vontade de ferro … Coração de criança… Couraça ouriçada de espinhos… Sentimentos angelicais… Capaz de matar ou morrer… Pronto a chorar ou a rir… com a mesma espontaneidade da criança! Livre e intangível como o vento, como a própria capoeira!
Axé Acordeon!
Salvador, 20 de Maio de 1999
Decanio
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Na década de 1960, o jovem Bira Almeida influenciou toda uma geração – justamente a que iria divulgar a capoeira no Brasil e exterior – com seu espírito de iniciativa e seu estilo de jogo. Trinta anos passaram; Bira Almeida – Mestre Acordeon – foi morar e ensinar nos Estados Unidos e se tornou um marco e uma referência no mundo da capoeiragem. Ele nos devia este livro. um livro com a fluidez, leveza, generosidade, força e carisma que sempre caracterizaram seu jogo. Um livro indispensável para o capoeirista, surpreendente e fascinante para os que se interessam pela construção de uma identidade brasileira.
Nestor
Rio, 18 de maio de 99
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